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2º Encontro Ficção Viva traz o ator Carlos Simioni
Noquintal - Novembro de 2008
Esculpir o corpo e as ações físicas no tempo e no espaço, acordando memórias, dinamizando energias potenciais e humanas, tanto para o ator como para o espectador. Essa é a linha de pesquisa que o experiente ator Carlos Simioni, um dos fundadores do Lume Teatro - Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais da Unicamp apresentará ao público curitibano na segunda edição do Ciclo de Encontros Ficção Viva, que ocorre dia 29 de novembro, sábado, às 20 horas, na Cinemateca de Curitiba.
Simioni realizará uma demonstração técnica, intitulada Prisão para a Liberdade, na qual abordará as pesquisas e técnicas elaboradas em seus 23 anos de carreira, como expansão e dilatação do corpo, manipulação de energias, treinamento vocal, elaboração de personagens e construção de cenas. Além de analisar a assimilação de linhas de trabalho de diferentes mestres do teatro como Jerzy Grotowski e Eugenio Barba.
Trata-se de um treinamento em que a codificação de sentimentos e emoções é realizada a partir das ações físicas. “O ator desenvolve precisão sobre seu corpo no tempo e no espaço, ao mesmo tempo em que cria energias e as direciona para o espectador, conseguindo uma dilatação do corpo”, conta Simioni.
Esse ponto, em que o pesquisador aponta para outro plano de representação e de comunhão com a platéia, vale não apenas para os palcos do teatro, mas também para projetos de cinema, caso do Ficção Viva, que une a observação da realidade à construção de narrativas ficcionais. “Nossa proposta é aprofundar esta discussão, e Simioni propõe uma linha de pesquisa interessante”, diz Marcelo Munhoz, um dos coordenadores do Ficção Viva.
Segundo Simioni, o fato do ator não precisar enviar energia para a platéia, faz com que este deva vivenciar tudo dentro de si mesmo. “Ele tem que saber manipular a energia e deixá-la guardada no seu interior. Ao fazer isso, a câmera consegue captar o que a platéia captaria”, explica.
Prisão para a Liberdade trata ainda, em um segundo momento, de mostrar a impossibilidade de libertação da técnica e da descoberta desta como trampolim para a transcendência do trabalho do intérprete. “Chega um momento em que ele deve encontrar uma ligação entre a técnica e sua pessoa, seu ser”, diz o ator. Após a apresentação haverá espaço para um bate-papo com o convidado.
Encontros Ficção Viva
O Ciclo de Encontros Ficção Viva busca aproximar a comunidade do debate sobre as produções e processos criativos de profissionais de destaque nas diversas áreas de realização cinematográfica dentro do cenário latino-americano.
Os eventos integram o projeto Ficção Viva, que se propõe a pesquisar a produção ficcional a partir de elementos da realidade, desenvolvidas pelo Olho Vivo, e realizará três curtas-metragens e um documentário.
“Escolhemos profissionais que sejam referências em suas áreas e, ao mesmo tempo, tenham um perfil diferenciado. Ao analisar suas obras e o método que eles utilizam buscamos ferramentas que possam ser agregadas ao projeto”, conta Luciano Coelho, outro coordenador do Ficção Viva.
Para sua realização, Ficção Viva conta com o apoio do programa Petrobras Cultural, que estimula a realização de projetos de interesse público, fora da evidência do mercado e que contemplem a cultura brasileira em toda a sua diversidade étnica e regional.
Serviço:
2º Encontro Ficção Viva com Carlos Simioni
Data: 29 de novembro (sábado)
Horário: 20h
Local: Cinemateca de Curitiba (Rua Carlos Cavalcanti, 1174 – São Francisco)
Informações: (41) 3015-1592
Aberto ao público em geral. Entrada franca.
Fonte: ClicNews